sábado, 16 de julho de 2011

De perto eu não quis ver que toda a anunciação era vã...




Deixa ser como será. Tudo 
posto em seu lugar. Então tentar prever serviu pra eu me enganar...

 Retrato pra Iaiá- Los Hermanos



Carpe diem

De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário.


Clarice Lispector em Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres 


P.S: Viva a simplicidade! 

E eu caminho em corda bamba até o limite do meu sonho...

 (...) Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para exprimir o primeiro e passageiro estado de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me. Mas se eu esperar compreender para aceitar as coisas - nunca o ato de entrega se fará. Tenho que dar o mergulho de uma só vez, mergulho que abrange a compreensão e sobretudo a incompreensão. E quem sou eu para ousar pensar? Devo é entregar-me. Como se faz? Sei porém que só andando é que se sabe andar e - milagre - se anda.

Clarice Lispector em Água Viva ( onde eu aprendi que não preciso me entender, apenas ser)

Santa Chuva


Ele diz, como se nada tivesse acontecido: 

Vai chover de novo, 
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim,
Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar, 
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade

E ela responde lembrando de tudo que aconteceu:

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? 
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar,
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez,
Não há porque chorar por um amor que já morreu, que nem nasceu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade...

Letra: Marcelo Perfeito Camelo

domingo, 12 de junho de 2011

Para a parte mais divertida da minha vida: meus amigos ( sem vocês seria muito mais difícil)


Intimidade é quando a vida da gente 
relaxa diante de outra vida e respira macio. Não há porque se defender de coisa alguma nem porque se esforçar para o que quer que seja. O coração pode espalhar os seus brinquedos. Cantar a música que cada instante compõe. Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo. Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho. Andar descalço, sem medo de ferir os pés. 

Ana Jácomo

Eu não perco mais meu tempo nem me deixo com o vento que derruba... ( Marcelo ♥ Camelo)

Ei dor, eu não te escuto mais, você não me leva nada;
Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva nada;
E se quiser saber pra onde vou, pra onde tenha sol é pra lá que eu vou.

domingo, 5 de junho de 2011

Entre aspas: Ninguém


Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. [..] A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.
Tati Bernardes